Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso apontou que Elismar Saltiva Sales, de 47 anos, foi morta a tiros em Sorriso (a 420 km de Cuiabá) por ser erroneamente identificada como integrante de uma facção criminosa. Segundo o delegado responsável pelo caso, Paulo Brambilla, não foi encontrado nenhum indício de que a vítima tivesse qualquer ligação com grupos ilegais.
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O crime ocorreu no bairro Boa Esperança 2. Dois homens em uma motocicleta se aproximaram de Elismar, efetuaram diversos disparos e fugiram em seguida. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local antes da chegada do socorro médico.
Julgamentos sem critérios e paranoia de facções
Em coletiva de imprensa, o delegado Paulo Brambilla explicou que o homicídio integra uma onda de execuções motivadas por supostas “sentenças” proferidas por criminosos locais, que classificam alvos como rivais sem qualquer comprovação.
“Na cabeça deles, a mulher que morreu era uma grande gerente do PCC. Não há indício algum de que ela fosse do PCC. Inclusive, havia uma pichação com a inscrição ‘Comando Vermelho’ na casa dela”, declarou Brambilla.
De acordo com a Polícia Civil, a paranóia dos grupos criminosos faz com que meras relações pessoais, o local de compra de entorpecentes ou até gestos em fotos familiares sejam interpretados como alinhamento a facções.
“Hoje você vai tirar uma foto com a família, faz um três com a mão, e eles já dizem: ‘Esse cara é do PCC’. Na cabeça deles, todo mundo que não faz o dois é PCC. Se você compra uma droga de um cara de quem eles não gostam, eles vão lá e matam”, criticou o delegado.
Morte de suspeito e prisões
Poucas horas após o assassinato de Elismar, equipes da Força Tática da Polícia Militar localizaram Ivanilson Andrade dos Santos, de 31 anos, apontado como o autor dos disparos. De acordo com a PM, o suspeito apontou um revólver calibre .38 contra os policiais durante a abordagem, dando início a um confronto. Ivanilson foi atingido, socorrido ao Hospital Regional de Sorriso, mas não resistiu aos ferimentos.
Na sequência das diligências, as forças de segurança chegaram aos demais envolvidos no crime:
Adolescente apreendido: Um jovem de 17 anos confessou ter pilotado a motocicleta utilizada na execução.
Mulher presa: Uma suspeita foi detida após admitir que emprestou o veículo usado pela dupla.
A Polícia Civil de Mato Grosso mantém as investigações para identificar outros mandantes e executores ligados a organizações criminosas na região de Sorriso.







