Em meio a questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, cresce a pressão por uma investigação formal sobre suas relações com o caso do Banco Master, após revelações sobre contratos advocatícios ligados à sua família e contatos com autoridades financeiras.
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A discussão pública sobre o Ministro Alexandre de Moraes ganhou novo fôlego após reportagens e análises sugerirem que ele poderia ter atuado, direta ou indiretamente, em benefício do Banco Master, instituição envolvida em um escândalo financeiro, devido ao contrato milionário firmado entre a instituição e o escritório de advocacia da sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Segundo informações obtidas pelo Canaã Notícias, através de um artigo de opinião no Poder360, o caso pode até transcender a chamada “advocacia administrativa”, chegando a indícios de corrupção passiva caso se confirme que o ministro teria solicitado favores indevidos junto ao presidente do Banco Central. Marsiglia defende que a situação deveria ser tratada com a mesma severidade aplicada pelo próprio ministro em outras ações jurídicas, incluindo a possibilidade de investigação imediata e imparcial.
Contratos e controvérsias
O contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, que chegou a ser citado em reportagens externas e repercutiu na imprensa, previa a possibilidade de remuneração de cerca de R$ 3,6 milhões por mês por 36 meses, um total potencial de R$ 129 milhões, para serviços jurídicos que, segundo críticos, não foram detalhados publicamente nem tornaram claras as atividades realizadas pela advogada ou seus sócios.
Em resposta às críticas, o gabinete do ministro emitiu notas afirmando que as reuniões de Moraes com autoridades como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não envolveram qualquer pressão ou assunto relacionado ao Banco Master e que o escritório de sua esposa não atuou diretamente na operação de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
Apesar das negações, senadores como Magno Malta (PL-ES) pressionam para que o Congresso Nacional suspenda o recesso parlamentar para instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigue as relações entre Moraes e o Banco Master, argumentando que “o silêncio diante de fatos graves pode ser negligência”.
Além da CPI, movimentos políticos mais amplos começaram a surgir. Representações por possíveis atos de advocacia administrativa e pedidos de impeachment foram protocolados no Senado por parlamentares que veem no caso indícios de pressão indevida e conflito de interesses que ultrapassariam a esfera privada e adentrariam o campo público e institucional.
Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) é vista por críticos como peça-chave para iniciar ou não uma ação investigativa formal, embora opositores digam que isso ainda não tenha ocorrido.
Repercussão pública
O episódio colocou novamente em debate a discussão sobre a transparência e a ética no Judiciário, com parte da imprensa e setores do Congresso questionando se casos dessa natureza deveriam ser tratados com mais rigor quando envolvem autoridades de alto escalão. Analistas destacam que a continuidade ou o desfecho das investigações pode ter impacto reputacional significativo tanto para o ministro quanto para o próprio Supremo Tribunal Federal.

